Ferrovia da Cedro quer melhorar logística e reduzir emissões no transporte de minério

Minas Gerais, um dos principais polos minerais do país, vai ganhar um novo corredor logístico para reduzir a dependência das rodovias no transporte de minério de ferro.

A Cedro Participações recebeu autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para desenvolver a Ferrovia Serra Azul, projeto de R$ 2 bilhões que pretende ligar a produção mineral da Grande Belo Horizonte à malha ferroviária nacional.

Com 26,4 quilômetros de extensão, o ramal pretende conectar a zona rural de Mateus Leme à atual linha férrea em Mário Campos, próximo à MG-040. A partir daí, a carga seguirá pela malha nacional até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

A proposta é retirar cerca de 5 mil caminhões por dia da BR-381, uma das rodovias mais movimentadas e perigosas de Minas Gerais. Conhecida como “Rodovia da Morte”, a estrada acumulou mais de 7 mil ocorrências nos últimos três anos, incluindo 440 acidentes fatais.

Segundo Lucas Kallas, fundador da Cedro Mineração, o projeto responde a um dos principais gargalos da mineração mineira: a necessidade de escoar grandes volumes de carga com mais segurança, previsibilidade e menor impacto ambiental.

O empreendimento surge em um momento de expansão da mineração brasileira. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o país exportou 416 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, alta de cerca de 7% em relação ao ano anterior. Em valor, o produto movimentou US$ 28,9 bilhões e ficou atrás apenas de petróleo e soja na pauta de exportações brasileira.

Nesse cenário, a ampliação da infraestrutura logística se tornou um dos principais desafios do setor, especialmente em Minas Gerais, onde boa parte do transporte ainda depende das rodovias.

Menos caminhões, mais trilhos

Estruturada no modelo short line — ferrovias de curta distância voltadas à conexão entre áreas produtivas e grandes corredores logísticos —, a Serra Azul será a primeira iniciativa do tipo no país voltada ao minério de ferro.

A expectativa é movimentar até 25 milhões de toneladas por ano. O plano operacional prevê cinco trens diários, cada um com cerca de 14,7 mil toneladas distribuídas em 136 vagões. Segundo a empresa, uma única composição poderá substituir até 525 caminhões nas estradas.

A expectativa é que as obras tenham início em 2028, com operação prevista para 2031.

Para a Cedro, a mudança de modal pode aumentar a competitividade da produção mineral da Serra Azul, especialmente para pequenas e médias mineradoras que enfrentam limitações logísticas para escoar a produção. A ferrovia também deve reduzir a circulação de carretas entre minas, terminais de carga e rodovias da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segurança, emissões e desenvolvimento local

Além da eficiência logística, o projeto prevê ganhos ambientais e de segurança viária. A estimativa da empresa é de que a ferrovia evite a emissão de até 44 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o modo ferroviário emite cerca de seis vezes menos CO₂e por TKU do que o rodoviário.

A construção e a operação do ramal vão gerar mais de 4 mil oportunidades de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. A expectativa é movimentar cadeias locais de construção, logística, manutenção e serviços, além de ampliar a arrecadação municipal.

O traçado inclui seis viadutos rodoviários, um túnel ferroviário em Igarapé, oito passagens inferiores para pedestres e veículos e oito passagens exclusivas para travessia de fauna. A faixa de domínio terá cerca de 25 metros de cada lado e será cercada ao longo de todo o perímetro.

Além da redução no fluxo de caminhões, a companhia aposta na ferrovia como forma de aumentar a competitividade da mineração mineira em um momento de expansão das exportações e pressão crescente por soluções logísticas mais eficientes e menos poluentes.

Para a Cedro, o projeto representa uma tentativa de combinar ganho operacional, segurança viária e redução de emissões em uma das regiões mais estratégicas da mineração brasileira.

Fonte: Link

Cedro troca carreta por correia em Mariana

A Cedro Participações decidiu atacar um dos pontos mais sensíveis da operação mineral em Mariana (MG): o trânsito pesado de carretas. A companhia vai investir cerca de R$ 700 milhões na implantação de um Transportador de Correia de Longa Distância, o TCLD, que levará o minério de ferro da mina até a interface logística ferroviária.

Saiba mais

BRASIL NÃO PODE PERDER A JANELA DO MINÉRIO VERDE

Artigo publicado no Poder 360º debate o papel estratégico do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono e o que o país precisa fazer para transformar seu potencial mineral em protagonismo global.

Saiba mais

Cedro alia inovação, eficiência produtiva e impacto social em Nova Lima

Modelo de produção com olhar social, reprocessamento de rejeitos, empilhamento a seco e lavra seletiva posiciona a companhia como referência em sustentabilidade na mineração de ferro no país.

Saiba mais